O Problema Métrico

30/09/2025 03:02

Eu sou um grande defensor do sistema métrico decimal (e, consequentimente, do SI). É impossível não ficar maravilhado com a beleza de medidas tão engenhosamente arquitetadas, que se entrelaçam com singular harmonia. Temos intervalos regulares para todas as medidas, tudo em intervalos e potências de 10. Unidades feitas pensadas umas nas outras, o que deriva propriedades surpreendentes, como um quilograma de água ocupar o volume de um litro.

Tal beleza está longe de ser encontrada na aberração chamada de sistema imperial. São inúmeros os problemas com as medidas desse sistema tenebroso. Não há padrão algum em suas unidades, o que as torna totalmente imprevisíveis e nada práticas.

Como exemplo, veja as unidades de comprimento: 12 polegadas para um pé, 3 pés para uma jarda, 1760 jardas para uma milha. Uma ofensa a nossos cérebros desenvolvidos para o reconhecimento de padrões.

Para unidades de massa, temos as seguintes: 16 onças para uma libra, 2000 (ou 2,240) libras para uma tonelada. Além dos valores irregulares, temos um agravante aqui não tão conhecido, que é o fato dessas medidas serem de tanto para peso quanto para massa. temos lbf para peso, e lbm, para massa. Na Terra, ambas medidas de determinado objeto têm o mesmo valor, mas o lbf varia em outros planetas. Então um objeto de 100 lbm e 100 lbf na Terra pesaria 100 lbm e 16.5 lbf na Lua. Para massa, também há a unidade slug. 1 slug = 1 lbf·s²/ft.

Também fico incomodado com o uso de frações no lugar de números decimais, embora isso não seja um problema de unidades de medida. Acho pouco intuitivo e difícil de comparar valores, já que cada um possui duas variáveis para serem levadas em consideração. Por exemplo, não é tão simples saber se 5/9 é maior ou menor que 3/5, e o quão longe está um número do outro. Conseguimos comparar 0.5 e 0.6 sem precisarmos pensar muito.

Com tantos problemas, parece razoável dizermos que a solução natural é a adoção do sistema métrico. No entanto, mesmo com suas qualidades, ainda há um problema gravíssimo enraizado em si: é um sistema decimal. Mesmo a América, com seu sistema de dar nojo, possui medidas duodecimais, como polegadas. É inadmissível que não tenhamos o número doze como base em mais de nossas unidades. Os únicos resquícios que temos atualmente são das horas e das dúzias, sobreviventes isolados em um mar de números dez.

O sistema métrico foi de suma importância para o nosso desenvolvimento. Mas precisamos ir além como sociedade: precisamos de um novo sistema baseado em unidades duodecimais.

Para referência: 10₁₀ = A₁₂, 12₁₀ = 10₁₂, 50₁₀ = 42₁₂, 60₁₀ = 50₁₂, 100₁₀ = 84₁₂, 144₁₀ = 100₁₂.
₁₀ significa que é um número em base 10, e ₁₂ marca os números em base 12.
Se o número não tiver marcação de base, considere como base 10.

O primeiro caso a analisar é o de unidade de temperatura. A água congela a 0°C e entra em ebulição a 100°C. nesse intervalo, temos 100 graus de diferença. Num sistema duodecimal (darei à unidade de medida hipotética o nome D), também podemos definir 0D como ponto de fusão e 100₁₂D como ponto de ebulição. No entanto, agora temos um intervalo de 144, e não 100. A nossa contagem é:
0 1 2 3 ... 9 A B 10 11 ... 67 68 69 6A 6B 70 71 ... 99 9A 9B A0 A1 ... BA BB 100.

No entanto, em vez de me basear em Celsius, vou usar a mesma lógica em Kelvin. Ou seja, 0K = 0D e 100₁₀K = 144₁₀D. Para o caso de temperatura, especificamente, temos também a simples opção de fazer com que 100₁₀K = 100₁₀D, mas considero não ser uma solução tão divertida.

Podemos usar uma regra de três para calcular qualquer outra temperatura:

$$D = 1.44₁₀K \iff K = \frac{D}{1.44₁₀}$$

Podemos aplicar a mesma lógica para todas as outras unidades de medida. 100cm (1m) sendo iguais a 144₁₀cm. 1kg sendo 12₁₀hg, que por sua vez são 12₁₀dag cada, até chegarmos em 1dag valendo 12₁₀g. Repita o processo para todas as unidades.

O tempo é uma unidade interessante. Ela é irregular, 1m não equivale a 10s nem 100s, mas sim 60. um dia não é 10, nem 50, nem 100 horas, mas sim 24. vemos como quase encaixa bem sistema de contagem duodecimal. um dia são 20₁₂h, um lindo presente dos nossos ancestrais.

Você pode pensar que 1min = 60s e 1h = 60min também se encaixam bem, já que 60 é metade de 120, que nada mais é que 12 × 10. Olhe só, temos um 12 na composição, multiplicado por dez. Se encaixa bem no sistema, certo? Errado. 12₁₀ = 10₁₂, mas lembre-se que 120₁₀ ≠ 100₁₂. Temos 120₁₀ = A0₁₂, um número feio e quebrado. seria equivalente a sugerir que 1h fosse 80min. É mais fácil e bonito definir 1h como 50min ou 100min.

Por isso, acho válido dividir uma hora em 72 partes, tendo assim 1h = 60₁₂min. Parece que não saímos do lugar, mas lembre-se que 60₁₂ é metade de 100₁₂, metade de um número redondo. Duas horas nos dá 100₁₂ minutos.

Há muito a ser explorado em uma reforma hipotética no SI. Por exemplos, como seria a medida de ângulos? Radianos já funcionam bem. E os meses e anos? Por sorte, já temos 10₁₂ meses, mas com uma quantidade quebrada de dias. Também será mais difícil contar os dedos das mãos, já que agora temos apenas A dedos, em vez de 10.

Tenho certeza de que minha sugestão atual traz consigo muitos problemas e inconsistências, mas espero que sirva de base para um sistema mais polido e uniforme.


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